E aqui estou eu... de guitarra na mão, com uma galáxia de folhas espalhadas à minha volta repletos de desenhos ao acaso, textos e frases espontâneas, bem como estrofes e refrões desordenados. O computador está à minha frente. Enquanto ouvia imensas músicas românticas ou que me faziam lembrar-me de ti ou de outros importantes, sentia uma vontade incontrolável de escrever. Já sentia saudades deste desejo desenfreado mas maravilhoso que me percorre as veias e deixa o meu coração falar.
Ora bem, o que é que eu tenho a dizer? Tanto, que não sei sequer por onde hei-de começar. Desconheço totalmente a razão... mas é uma verdade inquestionável. Apaixonei-me. E logo por ti. Uma relação impossível. Uma relação de filme. Como é que me pude deixar levar? Como? Sei que não tenho controlo algum no meu coração, mas podia ter-me prevenido a mim mesma. Como é que com menos de 20 anos me poderia apaixonar por alguém com 22? E isso até é dos aspectos menos complicados. Como é que me pude apaixonar por alguém que mora a quilómetros de mim? Alguém que neste momento está noutro país? Alguém que já viveu momentos que eu estou longe de viver? Como? É só isso que gostava imenso de saber. Como é que me fui deixar levar desta forma? Logo eu, que em tempos criticava e de uma forma ''brincava'' com as raparigas que ficavam encantadas com pessoas como ele. O karma é mesmo... idiota.
Mas bem, foi algo tão natural, tão espontâneo, tão vazio de segundas intenções, que me deixei levar de uma forma estonteante como se nenhuma das complicações existisse. Aliás, quando estivemos juntos pela primeira e segunda vez, tal como te disse, não sei como nem porquê, mas senti que já nos conhecíamos há muito. Dizem que é um sinal de almas gémeas. Gostava de acreditar que sim, mas não sei. Foi algo inexplicável, indescritível, incompreensível, mas claro, simultaneamente. A partir daí, pensei que nunca mais iríamos ter contacto, mas enganei-me redondamente. Como iria eu pensar naquele tempo que tudo isto iria acontecer? Provavelmente considerar-me-ia uma maluquinha ahaha. Foi realmente algo inesperado, mas agradeço com todas as minhas forças por ter acontecido. A partir desses dias, acompanhava-te em todas as notícias, fosse onde fosse. Até que, começamos a falar. Não como antes, fã e cantor.. não.. como amigos. Era algo que me deixava absolutamente radiante e sem palavras para descrever. Sentia-me realmente feliz. A partir daí foi absolutamente instantâneo. A comunicação entre nós tornou-se uma rotina e já não podia estar mais de 2 dias sem falar um com o outro. Andava totalmente estupefacta com o que se passava. Não estava sequer perto de imaginar o que se ia avizinhar. Começaram as outras formas de contacto e os encontros marcados mas falhados por questões que não importam agora. Quando voltei para Lisboa, andava totalmente encantada, parecia que estava a viver um sonho. Mas o curioso em tudo isto, é que, como sabes, embora venere esse facto, neste caso, não me interessa minimamente o teu grau de fama nem o teu ''trabalho'' maravilhoso como artista. Porquê? Porque não me apaixonei pelo músico, mas sim pela pessoa que és, cujas palavras ainda não são conhecidas no mundo para descrever. Posso apenas dizer que fazes o meu coração bater mais rápido do que depois de uma apneia... Fazes os meus olhos brilhar ainda mais do que quando choro... Fazes o meu corpo tremer mais do que quando estão temperaturas negativas... Fazes-me corar mais do que quando apanho um escaldão e fico com a cara quase que pintada de vermelho fogo... Fazes-me sorrir mais do que ninguém... Fazes-me sentir especial, única, desejada, importante... Fazes-me sentir alguém significativa no mundo.. Tu não és uma pessoa no Mundo... És um Mundo numa pessoa! Os textos rotineiros e magicamente apaixonantes tornaram-se uma rotina pela qual eu me começava a render, mesmo tendo prometido a mim mesma que não me ia deixar levar nem ia criar expectativas... mas era impossível. Pelo menos para alguém com o meu coração. Até que, um dia, apercebi-me realmente do que sentia... uma palavra tão simples, com 5 míseras letras, significaram um mundo para mim. ''Amo-te.'' pura e simplesmente. Directa e naturalmente. Como? Estavas naquele momento noutro país e eu, daqui, apenas tinha a capacidade (nata) de pensar constantemente em ti. Felizmente não me faltava nada que não me recordasse de ti... os bilhetes na mesa de cabeceira, as t-shirts na secretária, os papeis nas estantes, os textos guardados, as músicas no telemóvel e no computador.. e no caso de estar ou não perto destes elementos, sabia que teria eternamente as memórias dos momentos, das palavras e de todos os pormenores na memória e no coração... e claro, sabia que bastava olhar para o meu pulso direito, que lá estava... a nossa pulseira... o teu nome, no meu pulso. Não me faltava absolutamente nada.
Durante um tempo, reflecti muito acerca de tudo isto. Neste momento, volto a fazê-lo. Vejo-me num cenário imensamente mágico, profundo, desafiante, muito arriscado, no entanto magnífico, maravilhoso, envolvente.. e perfeito, independentemente de tudo. Tal como em qualquer (grande) amor, já vivi milhares de emoções. Já ri, já chorei, já pensei, já falei demasiado, já me calei quando devia ter falado, já cometi ações que não devia ter cometido, já me resguardei e não cometi determinadas ações quando devia ter cometido... enfim, penso que é normal. Agora que não estás em Portugal, tenho de aguentar semanas sem falar contigo, o que me entristece, mas entendo o teu lado neste momento. Felizmente, vêm sempre até mim, notícias e recados teus, o que me deixa logo de sorriso nos lábios.
No entanto, independentemente de tudo, tornei-me prisioneira desta história... sinto-me enquadrada num daqueles sucessos cinematográficos... daqueles filmes que se vêm no cinema com alguém especial ou em casa, numa noite fria, com a pessoa dos nossos sonhos. Sou a atriz principal do seu enredo e à minha volta ronda uma história absolutamente rara (pelo menos na minha mente), extraordinária e extremamente controversa.. mas eu admito... não sei como teriam sido estes meses se não estivesse a participar nesta história. Penso que não seriam tão luminosos, tão coloridos... tão mágicos. Não iria sorrir tanto, cantar tanto, sonhar tanto. Não iria ter sempre os pensamentos atolados de cenários mágicos, em que as duas estrelas somos nós, num espetáculo privado, sem público.. ou melhor, cujo público são as estrelas do céu e as gotas dos oceanos... porquê esse público? Porque são esses componentes que quando multiplicados, conseguem chegar perto do quanto eu te amo e de tudo o que sinto por ti meu bem. Agora que posso refletir digo com todas as minhas forças e com a maior das certezas que penso nunca ter sentido tantas saudades de alguém como sinto tuas. Sinto falta da paz que encontrei no teu abraço apertado, em que os olhos de fechavam e os corações e as almas se uniam e em que era esboçado um sorriso sincero, profundo e tocante... o abraço mais verdadeiro e espontâneo que alguma vez me deram, que incontrolavelmente, durou largos minutos, que mais se assemelhavam a horas... sinto falta do toque das tuas mãos, delicado e suave.. das tuas poucas palavras que me fizeram sentir muitíssimo segura, que me reconfortaram o coração e me deixaram a alma repleta de magia.
No dia em que nos voltarmos a ver... o primeiro dia do resto das nossas vidas.. nesse dia, acordarei, e sentirei na minha barriga, borboletas, a voar felicíssimas… elas houveram voltado, felicíssimas para despertar em mim as sensações rotineiras, mas muitíssimo mais reforçadas e intensas... irei sentir um medo inexplicável mesmo antes de tudo começar… irei sentir tudo mais uma vez. Mas sabes... é inevitável sentir a sua falta… é mais forte do que eu... é algo incontrolável, é mais do que eu alguma vez poderei imaginar. Não sei explicar, não sei o que dizer, o que pensar... penso que neste momento, apenas sei sentir.. mas nem tenho capacidade de conhecimento de palavras ou definições para aquilo que sinto. Apenas tenho a máxima certeza que nunca o senti por ninguém, acredita.
Sei que não irás ler isto... nem tenho a certeza que iria desejar que o visses meu bem. Porque tal como sabes, tenho receio.. não de ti, mas de mim.. mas isso não é ''para aqui chamado''. Enfim, até breve, mas mesmo muito breve meu amor.. espero que cumpras a tua promessa. Confio plenamente em ti. Coloco, sem pensar, as mãos no fogo.. e sei, melhor que ninguém, que não me irei queimar!
Basicamente, não há palavras para te descrever, nem para descrever tudo isto... Talvez o meu coração acelerado o explique... talvez os olhos a brilhar o expliquem... talvez o meu corpo arrepiado o explique... talvez as lágrimas incrivelmente felizes o expliquem... talvez a admiração, a saudade, o imenso orgulho, a felicidade, a memória de cada momento, de cada palavra e de cada sorriso o expliquem... talvez o mundo o consiga explicar... eu ainda não consigo, mas irei conseguir, eu sei disso :))
Um beijo do tamanho do mundo. Estejas onde estiveres, o meu coração está contigo. *

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