"Escrevo para ti porque, sejamos sinceros, para quem mais poderia escrever? Os meus pensamentos concentram-se em ti porque não há nada que me cative mais do que o teu sorriso. Não há nada que me enlouqueça mais do que a forma como olhas para mim. A forma como me observas. Ver, qualquer um me vê, mas tu, conheces-me e compreendes-me a alma apenas com um olhar. Basta um segundo para que saibas o que penso. Basta olhares para mim para te veres a ti. (...) Como poderia não te escrever? Descrever cada traço teu, cada onda da tua voz, cada expressão que fazes. Podia olhar para ti o resto do tempo e viver feliz. Feliz por saber que somos eternos, mesmo que sejamos efémeros."
Fazes-me tão bem e ao mesmo tempo tão mal. És-me tanto. Quero afastar-te, mas há algo que não mo permite. Afastar-te faz com que afaste do mundo uma parte de mim. E eu sei que nunca te serei indiferente. Somos o Espelho um do outro, no fundo ambos o sabemos. Sempre o fomos. E por muitas negas e costas voltadas, quando estamos juntos, parece que o mundo pára. Nada mais existe, mais ninguém existe. Só Tu e Eu, naquele terceiro espaço, naquele mundo paralelo. Mas depois, somos assombrados com o Sopro gelado da realidade. Foram escolhas, prioridades. Magoa, muito, mas não há nada que possa fazer, infelizmente. Sei que (querendo ser otimista, mesmo assim) tão cedo Não te Vou Esquecer, mas vou fazer de tudo para conseguir alcançar de facto a minha felicidade, mesmo que tenha de ser sem ti. Porque embora tenhas ido embora e só queira correr para ti, num grito sufocado de "Volta, nunca quis que tivesses ido embora", não posso contrariar as tuas escolhas. Tenho simplesmente de tentar (e conseguir) seguir em frente. Porque, embora te tenha perdido, nunca perderei quem sou na realidade. Isso é certo. Não Me Perco. Foste a minha tarde na praia e a minha noite num bar ao balcão. Foste o meu sorriso e as minhas lágrimas. Foste a minha água, o meu Café Curto e a minha garrafa de vodka. Foste o branco, o rosa e o preto. Foste o tudo e o nada. Tenho, ao menos, a certeza que o que nos uniu, nem que durante um abrir e fechar de olhos, foi de facto sentido, foi de facto Verdadeiro. E nesta corda bamba em que me deixaste, nesta Margem entre a razão e a emoção, neste oceano de dúvidas, questiono estes 3 anos que passaram. Questiono o presente, questiono o futuro. Entendo que estamos demasiado Longe, que estamos a errar ao estar de costas voltadas. E tu, esconde-te atrás dessas ideias erradas de amor, esconde-te atrás desse Falso Espelho que tens à frente, quando o verdadeiro está apenas coberto com um pano. Longe da vista, longe do coração. E se alguma vez tentares partir o espelho, o verdadeiro, não terás 7 anos de azar, mas sim 7 anos de lembranças minhas. Lembranças e arrependimentos. Pensa, por favor. Até Breve.

