Real Time Web Analytics

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

insónias


era sempre a ti que recorria. sempre, ou quase. e agora? passo noites em claro, a querer dizer-te tudo, como se estivesse tudo bem. ou a querer dizer-te tudo, sabendo que está tudo mal. mas não posso. escrevo, mas não envio. penso, mas não concretizo. porque tenho de me mentalizar que as coisas já não estão bem. que acabou, de vez. que já não estás comigo. que tudo se desmoronou à minha volta e que uma das poucas coisas que permanecia de pé (ou pelo menos aparentava) também se desmoronou. e desmoronou-se de uma forma drástica, deixando pedaços afiados no chão. quero esmurrar-te, dizer-te tudo na cara e pôr-te rapidamente longe de mim, mas ao mesmo tempo (não vou ser hipócrita), quero-te comigo. queria que isto fosse tudo mentira. queria conseguir sentir-me minimamente bem com as saudades que tenho. porque apesar de tudo, embora não mereças nada, mas mesmo nada de mim, eras um dos meus maiores e mais fortes pilares. quer estivéssemos bem ou mal, nunca me abandonaste. ao mínimo problema, tu estavas lá. sempre. excluindo toda a parte semi-romântica, quero o meu amigo de volta. a minha companhia. o meu apoio. queria tanto poder apagar e esquecer tudo isto. mas não posso. não posso porque não (me) mereces. não mereces nada de mim. nada. enganaste-me, traíste a minha confiança e fizeste-me o que eu nunca pensei que me fizesses, sem qualquer tipo de dó nem piedade. aliás, ainda nem sei como falar neste assunto. é muito recente. muito chocante, ainda nem tenho palavras. parece impossível. devia deixar de escrever para ti. falar de ti. pensar em ti. assim afastava-te de vez. mas há-que enfrentar as coisas de frente. tenho de deitar tudo cá para fora, não guardar tudo para mim (como tenho feito e como tenho o hábito de fazer) e não me deixar cair no buraco fundo que me cavaste.

queria voltar àquelas madrugadas em que, quando o sono me faltava (ou não), recorria a ti. e tu sabias que eu o ia fazer. muitas vezes esperavas por mim ou adiantavas-te. ou então, eras tu quem o fazia. até podíamos dizer as coisas mais idiotas e simples, mas estávamos ali. naquele terceiro espaço só nosso. era reconfortante saber que era em mim que pensavas naquelas horas. que te tirava o sono. saber que gostavas de mim e que era comigo com quem querias ficar... mas tudo isto é passado. tu mudaste e fizeste uma das piores coisas que já me fizeram, num dos piores períodos por que já passei. tenho de tentar esquecer as memórias. por muito que custe, tenho de me mentalizar disso. e ninguém imagina o que estou a sentir neste momento e o quanto custa. nem eu própria tenho bem a noção daquilo que estou a sentir, é demasiado doloroso para explicar. são 2h da manhã e ainda estás na minha mente. e agora?

domingo, 21 de setembro de 2014

e lixamo-nos na mesma.
tenho medo que aconteça de novo. que possa ver de novo a cura para a minha doença numa doença ainda mais contagiosa e fatal do que aquela de que me quero curar.
   
     A mudança instalou-se como um tiro no escuro. O mundo ficou mais cinzento e mais frio. O amor e a confiança passaram a ser apenas meros conceitos e as pessoas não passavam de corpos deambulantes de rostos desconhecidos. Embora conseguissem levar uma vida supostamente normal e feliz, faltava-lhes algo. Algo que outrora os fazia esboçar os sorrisos mais sinceros e sentir o inexplicável, agora, pelo contrário, causava-lhes um vazio descomunal, que nem eles próprios sabiam explicar.
  O quarto, tal como o mundo, estava frio. Um ambiente pesado rondava-o, embora ainda permanecesse um aroma adocicado que mais se assemelhava ao perfume de Vénus. Um aroma doce, repleto de memórias, sentimentos fervilhantes e saudade. De duas almas que se juntaram muito antes dos corpos e que só estando juntas se completavam.
   O que antes eram gotas quentes de suor e da paixão que os unia, agora não passavam de gotas geladas como o orvalho ao amanhecer. Gotas em que só restavam memórias, mágoa e saudade. O chão, aquecido pelo calor que os seus corpos emanavam, estava agora gélido, como um bloco de gelo. Os lençóis daquela cama abandonada, estavam agora estagnados e solitários. Mortos. As paredes que outrora guardavam todas as memórias, dos gritos aos amo-te sussurrados, dos risos aos choros, das promessas aos pactos, estavam agora vazias. Ou pelo menos aparentavam. A dor, a mágoa e a nostalgia, aliadas à saudade e ao orgulho, camuflaram tudo o que restava daquele amor inacabado. Excepto aquele perfume tão alucinante como o que os unia. Aquilo que simbolizava tudo o que se passara dentro e fora daquelas quatro paredes. Daquele terceiro espaço, em que eles viviam, sem sequer saberem da sua existência.
ff  O mundo estava frio e só, bem como o quarto. O mundo, o quarto e eles, que sem saberem, sentiam tanta falta um do outro como um surdo sente a falta de ouvir o bater das ondas nas rochas de uma praia deserta. Sentiam tanta falta um do outro que nem sequer conseguiam explicá-lo. Os sentimentos e pensamentos transcendiam-nos e talvez por isso, o afastamento foi algo inevitável. Sentiam falta de quando o tempo parava quando estavam juntos. Sentiam falta do prazer sem nunca terem sucumbido ao desejo. Sentiam falta dos beijos que não deram, dos amo-te que não disseram e das verdades que nunca conseguiram expressar. Como alguém que sente falta de ver o azul do céu, nascendo invisual. Sentiam saudades do que nunca tiveram, do que nunca foram.
    Eles podiam ter sido tudo, mas não arriscaram o suficiente, mataram-se por jogarem pelo seguro. Tinham tanto para dizer um ao outro e perderam as palavras num misto de encontro e abandono. Eles só queriam que tudo voltasse. Sonhos constantes assombravam-nos noite após noite. Bebiam os sorrisos e as magias um do outro. Beijavam os seus sonhos, acariciavam os seus desejos e estavam felizes. Plenamente felizes. Sonhavam com o que podiam ter sido e com o que quase eram, sem saberem. Até ao momento em que acordavam com a dura realidade de que tudo aquilo não passava de meros sonhos, e que a realidade era  totalmente oposta. E ali permaneciam, sozinhos e afundados num vazio descomunal, ainda mais profundo e gélido que o quarto e o mundo.
     Eles só queriam ser donos do seu mundo, do seu destino. Queriam voltar a ser uma alma entre dois corpos, um destino entre dois sonhos. Um acreditar entre duas vontades. Uma força entre duas conquistas. Um sorriso entre duas alegrias. Um conforto entre duas companhias. Um defeito para uma qualidade. Um total para duas metades. Um existir, entre dois corpos ao vento. Um tudo no meio do nada. Queriam ser tudo isso de novo, sem fazerem sequer ideia que já o tinham sido.
   E eles ainda eram tudo isso, sem sequer o saberem. Eram o lume de uma paixão inacabada. Ocultada. Nunca aproveitada ou arriscada. Eram dois mundos à eterna descoberta das maravilhas da vida. O mundo, o quarto e eles estavam vazios, frios e sós. Mas aquele perfume adocicado permanecia. Uma chama de uma vela no meio de quatro paredes escuras. Havia uma réstia daquele amor tão poderoso e fatal, cuja existência eles sempre desconheceram. Só lhes restava a eles voltar a fazer tudo de novo. Mas será que conseguiam? Conseguiam retomar algo que nunca começaram? Ressuscitar algo que nunca chegou a nascer, ou que pelo menos, nunca teve uma vida reconhecida?
    Lembravam-se perfeitamente de cada momento. Cada segundo. Cada olhar trocado. Cada palavra proferida e cada abraço sentido. Lembravam-se de cada milímetro do corpo um do outro, até mesmo daquilo que nunca viram. Lembravam-se de todas as declarações de amor que nunca fizeram e das discussões que nunca tiveram. Aperceberam-se que havia algo para além da amizade que tinham. Um diamante que precisava de ser lapidado. Um mero sorriso conseguia congelar o tempo, a voz de um era a música preferida do outro e quando os seus olhares se cruzavam, nada mais importava. Quando os átomos que os constituíam se afastaram como um pedaço de gelo quebrado, ambos perderam algo que não sabiam sequer que existia. Perderam a chama que os aquecia. Perderam a luz das estrelas, estrelas singelas e lindíssimas, que ao olharem o céu jamais tinham visto (nem tornaram a ver). Perderam o porto de abrigo. Aquilo que achavam que não era nada, mas que no fim se revelou tudo. Quem lhes ativava os pulmões, lhes fugia pela boca. Quem fazia os seus poros gritar, quando os corpos se fundiam num. Quem lhes bombeava sangue ao coração e os fazia sentir o impensável, embora fosse encarado com uma maldita normalidade. Quem fazia os defeitos parecerem virtudes e noites parecerem dias. Entenderam que as coisas simples que os uniam eram as melhores coisas do mundo. Lembravam-se da profundidade dos seus olhos cor de mel, presos nas suas peles.
    Até já as pedras da calçada e as ondas do mar choravam por eles, sentiam a sua falta. Das palavras que eles sussurravam um ao outro sem sequer dizerem nada. Dos beijos que trocavam com o olhar e dos dias e noites que passavam juntos em mente. O que eles mais queriam era que tudo voltasse. Queriam fazer o outro perceber que o mundo era deles e que iriam para onde o outro fosse, independentemente de tudo. Queriam estar juntos, no mar gélido de defeitos e palavras saídas do coração. Queriam trocar mais beijos com o olhar e depois com os lábios. Queriam passar mais dias e noites juntos com a mente, e mais tarde com o corpo, naquela rotina que eles adoravam, mesmo não se apercebendo da sua existência. Queriam comprovar que ainda se lembravam na perfeição de cada contorno um do outro. Que a voz ainda era a mesma, bem como o sorriso inocente e o olhar intenso. Queriam que se lhes lessem os seus desejos. Os sonhos que sonhavam, após as madrugadas de insónias. Queriam tudo isto, mas não o sabiam ao certo. Faltava-lhes algo, mas ainda não sabiam decifrar o que era. Por isso, decidiram permanecer em silêncios que lhes arrepiavam o coração. Permaneceram despidos de tudo o que os mantinha quentes. Ficaram sem teto, sem chão. Até ao dia em que finalmente abriram os olhos e se aperceberam da realidade que os unia. E que forte realidade. 

Mas será que não era demasiado tarde?

domingo, 14 de setembro de 2014

nem tu imaginas o quanto, foda-se.
e quando achávamos que éramos nós? pobrezinhos, tão idiotas e ingénuos.
procurei em ti a cura que precisava. acabaste por te tornar na minha doença. num vírus letal que me vicia e me mata. mas contigo até a morte tem um certo brilho. mato-me por te querer tanto, mas não é por isso que paro de te querer, mesmo sabendo que isso me magoa. eras a cura que precisava, mas tornaste-te na minha doença. agora a questão é que, a única pessoa que me pode curar foi quem me fez adoecer. tu.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

tenho tantas saudades tuas. saudades que já nem cabem no peito. que transcendem o meu corpo e a minha alma. que me causam mais dores que uma bala, mas que me fazem tão, tão bem. fazes-me quase tão bem como o mar. mas fazes-me quase tão mal como uma enxaqueca. és o meu perfume adocicado. a minha dor de cabeça constante. algo me quer libertar de tudo isso, mas simultaneamente, há algo que não me deixa libertar-me, que não se quer libertar. e no meio de tantos heróis, nós somos perdedores. mas no meio dos perdedores, somos heróis gloriosos. somos o que somos. fomos o que fomos. completos, embora de forma incomum. será que até aquilo que quase roçava a perfeição pode simplesmente acabar? assim? supostamente a morte seria o fim de uma vida. mas as inúmeras especulações acerca da suposta vida depois da morte fazem-me pensar. será que haverá uma vida depois da morte daquilo que tínhamos? será que estamos mortos ou vivos? ressuscita-me. ressuscita-nos. faz com que a vida depois da morte seja ainda melhor do que a primeira. faz com que
                               valhamos a pena, nem que seja só por uma vez.

não o vais fazer, pois não? não vais fazer nada. vais ver-me moribunda, enquanto arranjas uma nova vida. então digo-te, se isso acontecer, olha para o outro lado, porque prezo a minha vida e não me deixaria morrer por alguém que já se ressuscitou a si mesmo. hei-de viver mais feliz que nunca, e aliás, hei-de te deixar bem clara que a minha felicidade não depende de ti.