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terça-feira, 4 de agosto de 2015

não devia escrever para ti. afinal, quem és tu? ninguém, fácil. mas na verdade, não é bem assim. desde o primeiro dia em que o nosso olhar se cruzou, algo aconteceu. um clique, uma chama qualquer que tinha de ser apagada. tentei ignorar ao máximo esse facto, bem como as bocas que ia ouvindo, e fui-me escapando por entre os intervalos da chuva, por cobardia, insegurança ou talvez por saber que ia estar a caminhar para o abismo. mas mesmo assim, no meio de tanta fuga, havia sempre algo a puxar-me para ti. e isso irritava-me. mas eu continuava ali. noite após noite, sempre na esperança de te ver. de trocar aqueles olhares intensos, mas discretos, e de sentir aquela conexão, que me puxava para ti mesmo quando eu não queria sair do lugar. ao perceber que nunca mais te ia ver, senti-me encostada à parede. era "agora ou nunca". não sei o que me deu. nunca pensei que algo fosse acontecer, até ao momento em que de facto aconteceu. fiz tudo o que achava que nunca faria, ultrapassei os meus limites, os meus tabus, os meus medos, e agi. podia ter sido fatal, mas valeu tanto a pena. agi quase sem pensar e foi a melhor coisa que podia ter feito. foste a minha lufada de ar fresco e nem imaginas o quanto estava a precisar disso. se podia ter sido diferente? podia, mesmo, mas foi algo que eu ainda não consigo explicar. "vocês pareciam um casalinho apaixonado.","parecia que tudo à nossa volta estava a conspirar para que aquilo acontecesse". "parecias tão bem, tão relaxada... gostei tanto de te ver" foi algo tão estranho que ainda não sei explicar. ainda não entendo como é que numa situação que podia ser o mais desconfortável possível, eu me podia sentir tão confortável, tão segura, tão certa do que estava a fazer. foi a melhor e a pior altura para o fazer. porque é que não és de lisboa? descontrolaste-me quando praticamente ninguém o consegue fazer. queimaste-me a pele com o teu toque e acendeste-me com o teu beijo. aquelas horas foram tão intensas mas tão naturais... foi algo tão estranho, que uma simples aventura me conseguiu dar a volta à cabeça. mas não passou disso mesmo, uma aventura. a primeira e a última. já que nunca mais nos vamos ver, foi um grande prazer conhecer-te.
vejo a hora da despedida a chegar e o aperto no coração aumenta. sinto-me a ser encurralada dentro de 4 paredes minúsculas. eu própria sinto-me minúscula, com o coração a querer sair-me pela boca. sinto uma transpiração inexistente a percorrer-me o corpo, acompanhado de suores frios numa sala a quarenta graus. nunca gostei de despedidas. sempre as odiei desde o âmago do meu ser até ao fim dos meus fios de cabelo. dizer adeus nunca foi fácil para mim. sempre se assemelhou a uma tortura tal, que nesse momento todo o meu mundo se pintava de preto e assim permanecia até a dor passar. e quando ela não passava, tinha de ser eu a apagar toda aquela tinta escura da tela da minha vida. e bem sabemos que ficam sempre aqueles restos de tinta que teimam em não sair. depois trata-se de saber viver com a existência deles. despedidas sempre me custaram, mas nunca nada me tinha custado tanto como aperceber-me que tinha de te dizer adeus. que tinha mesmo de te libertar, de me libertar de ti. que tudo isto não passava de um ciclo vicioso. de uma roleta russa. e que à medida que o tempo fosse passando, mais nos envolveríamos, e consequentemente, mais nos magoaríamos. e se eu posso fugir disso a tempo, então fujo. não se trata de uma fuga literal, mas sim de uma saída de emergência. já fiz muito, demasiado até. já chega. não me posso apegar ainda mais. não posso perder mais tempo. estou presa há 3 anos e preciso de me libertar. não quero, mas ao mesmo tempo, até já o meu corpo desgastado me implora que o faça. fazes-me sentir única quando estamos só os dois, mas a realidade é que não sou (a) única. não estamos só os dois. não sou a única a fazer parte da tua história, da tua vida. não. ela existe. e eu não posso continuar a ignorar isso. mereço mais. mereço melhor. pelo menos acho eu. eu amo-te, juro que sim, mas já é um amor... cansado, digamos. preciso de uma pausa. preciso de tempo. talvez um dia. talvez mais tarde. quando ambos percebermos o que queremos realmente, pode ser que essa reflexão nos conduza aos braços um do outro. não sei. não te quero largar, não te quero longe de mim, não quero, não suporto sequer essa ideia, mas talvez seja o melhor para mim. sei que provavelmente vou-me arrepender disto, mas só eu, repito, só eu sei o quanto me dói toda esta situação. não o demonstro, mas só eu sei o que isto me tem custado. e não sei se vale a pena. 3 anos já é demasiado. vai ser sem dúvida das decisões mais difíceis que vou tomar, mas tenho de tentar ser feliz. pode ser que haja alguém por aí que me possa dar o que tu não me deste. pode ser um passo em falso, e posso (sei que vou) arrepender-me disto mais cedo ou mais tarde, mas quero arriscar. sinto que o devo fazer. já chega. já perdi tanto, o que será que posso perder mais? tenho de te ver uma última vez. despedir-me do meu grande grande amor, para dizer olá ao meu grande amigo. e ninguém imagina o quanto dói dizer isto. mas tem de ser, é o melhor para mim. espero eu.      goodbye my lover, hi my friend.