era sempre a ti que recorria. sempre, ou quase. e agora? passo noites em claro, a querer dizer-te tudo, como se estivesse tudo bem. ou a querer dizer-te tudo, sabendo que está tudo mal. mas não posso. escrevo, mas não envio. penso, mas não concretizo. porque tenho de me mentalizar que as coisas já não estão bem. que acabou, de vez. que já não estás comigo. que tudo se desmoronou à minha volta e que uma das poucas coisas que permanecia de pé (ou pelo menos aparentava) também se desmoronou. e desmoronou-se de uma forma drástica, deixando pedaços afiados no chão. quero esmurrar-te, dizer-te tudo na cara e pôr-te rapidamente longe de mim, mas ao mesmo tempo (não vou ser hipócrita), quero-te comigo. queria que isto fosse tudo mentira. queria conseguir sentir-me minimamente bem com as saudades que tenho. porque apesar de tudo, embora não mereças nada, mas mesmo nada de mim, eras um dos meus maiores e mais fortes pilares. quer estivéssemos bem ou mal, nunca me abandonaste. ao mínimo problema, tu estavas lá. sempre. excluindo toda a parte semi-romântica, quero o meu amigo de volta. a minha companhia. o meu apoio. queria tanto poder apagar e esquecer tudo isto. mas não posso. não posso porque não (me) mereces. não mereces nada de mim. nada. enganaste-me, traíste a minha confiança e fizeste-me o que eu nunca pensei que me fizesses, sem qualquer tipo de dó nem piedade. aliás, ainda nem sei como falar neste assunto. é muito recente. muito chocante, ainda nem tenho palavras. parece impossível. devia deixar de escrever para ti. falar de ti. pensar em ti. assim afastava-te de vez. mas há-que enfrentar as coisas de frente. tenho de deitar tudo cá para fora, não guardar tudo para mim (como tenho feito e como tenho o hábito de fazer) e não me deixar cair no buraco fundo que me cavaste.
queria voltar àquelas madrugadas em que, quando o sono me faltava (ou não), recorria a ti. e tu sabias que eu o ia fazer. muitas vezes esperavas por mim ou adiantavas-te. ou então, eras tu quem o fazia. até podíamos dizer as coisas mais idiotas e simples, mas estávamos ali. naquele terceiro espaço só nosso. era reconfortante saber que era em mim que pensavas naquelas horas. que te tirava o sono. saber que gostavas de mim e que era comigo com quem querias ficar... mas tudo isto é passado. tu mudaste e fizeste uma das piores coisas que já me fizeram, num dos piores períodos por que já passei. tenho de tentar esquecer as memórias. por muito que custe, tenho de me mentalizar disso. e ninguém imagina o que estou a sentir neste momento e o quanto custa. nem eu própria tenho bem a noção daquilo que estou a sentir, é demasiado doloroso para explicar. são 2h da manhã e ainda estás na minha mente. e agora?

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