não devia escrever para ti. afinal, quem és tu? ninguém, fácil. mas na verdade, não é bem assim. desde o primeiro dia em que o nosso olhar se cruzou, algo aconteceu. um clique, uma chama qualquer que tinha de ser apagada. tentei ignorar ao máximo esse facto, bem como as bocas que ia ouvindo, e fui-me escapando por entre os intervalos da chuva, por cobardia, insegurança ou talvez por saber que ia estar a caminhar para o abismo. mas mesmo assim, no meio de tanta fuga, havia sempre algo a puxar-me para ti. e isso irritava-me. mas eu continuava ali. noite após noite, sempre na esperança de te ver. de trocar aqueles olhares intensos, mas discretos, e de sentir aquela conexão, que me puxava para ti mesmo quando eu não queria sair do lugar. ao perceber que nunca mais te ia ver, senti-me encostada à parede. era "agora ou nunca". não sei o que me deu. nunca pensei que algo fosse acontecer, até ao momento em que de facto aconteceu. fiz tudo o que achava que nunca faria, ultrapassei os meus limites, os meus tabus, os meus medos, e agi. podia ter sido fatal, mas valeu tanto a pena. agi quase sem pensar e foi a melhor coisa que podia ter feito. foste a minha lufada de ar fresco e nem imaginas o quanto estava a precisar disso. se podia ter sido diferente? podia, mesmo, mas foi algo que eu ainda não consigo explicar. "vocês pareciam um casalinho apaixonado.","parecia que tudo à nossa volta estava a conspirar para que aquilo acontecesse". "parecias tão bem, tão relaxada... gostei tanto de te ver" foi algo tão estranho que ainda não sei explicar. ainda não entendo como é que numa situação que podia ser o mais desconfortável possível, eu me podia sentir tão confortável, tão segura, tão certa do que estava a fazer. foi a melhor e a pior altura para o fazer. porque é que não és de lisboa? descontrolaste-me quando praticamente ninguém o consegue fazer. queimaste-me a pele com o teu toque e acendeste-me com o teu beijo. aquelas horas foram tão intensas mas tão naturais... foi algo tão estranho, que uma simples aventura me conseguiu dar a volta à cabeça. mas não passou disso mesmo, uma aventura. a primeira e a última. já que nunca mais nos vamos ver, foi um grande prazer conhecer-te.
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