tenho de te apagar da minha mente. tenho de esquecer a profundeza do teu olhar, a pureza do teu sorriso, a intensidade das tuas palavras e a precisão do teu toque. tenho de apagar o teu perfume das minhas roupas e as marcas dos teus beijos no meu corpo. tenho de esquecer o sabor dos teus lábios e a complexidade da tua alma. tenho de te apagar de mim, por muito que me custe. às vezes dói-me bastante. finjo não me importar - não pelos outros, mas por mim, e nem que seja para começar a acreditar que não me importo realmente - mas por vezes é complicado lidar com isso, é demasiado forte. normalmente esqueço-me, mas quando dói, dói tanto como se fosse o primeiro dia. é uma dor sufocante que me faz sentir inútil. toda esta situação dói tanto. a distância. tudo o que aconteceu e as consequências que me atingiram como flechas. dói-me no que sou e no que não sou. na parte de mim que não sabe o que ser sem ti. nunca dependi de ninguém para nada e nunca hei-de depender. não há-de haver ninguém a fazer-me mudar quem sou e/ou o que quero. mas fazes-me tanta falta. arrasa-me não poder sentir-te, tira-me tanto. fugiu-me o amor que me ativava os pulmões, mesmo quando me tirava o fôlego. o amor que fazia a minha alma gritar, mesmo sentindo-se em paz. que bombeava sangue ao meu coração com uma potência arrasadora. quem me fez sentir mais confortável, mais bonita e imprescindível. que me fazia sentir tão bem mas que no fim me decidiu tirar tudo. que virou a página sem terminar a leitura da anterior. que deixou as palavras ali, presas, sós e desamparadas, sem dar qualquer tipo de justificação. deixou-as ali, sem qualquer resquício de esperança, mas mesmo assim, continuou sempre a relembrar-lhes (iludi-las) que aquela era a sua página preferida e que o que mais queria era lê-la vezes e vezes sem conta, até ao fim da sua vida. mas não leu mais. preferiu continuar com a nova página, a nova história. a nova vida. foi assim que me deixaste. foi assim que me trataste. e saber que estás feliz com ela, dá cabo de mim. especialmente por eu não conseguir fazer o mesmo. por continuar presa a ti e saber que há uma parte de mim que gosta deste calabouço, enquanto que os restantes átomos que me constituem anseiam, desesperadamente por sair daqui e respirar ar puro. quero poder olhar para vocês sem sentir mágoa. nostalgia e algum sentimento de remorso hei-de sentir sempre, mas não quero ter vontade de chorar de cada vez que vejo algo vosso ou algum testemunho do vosso sentimento. mereço mais. mereço melhor. pior vai ser quando tiver de vos ver em concreto. não faria sentido nenhum não ir, as minhas promessas são sempre cumpridas, na medida do possível, e a minha palavra, é sagrada. no entanto, só queria que ela deixasse de existir naquelas horas, só isso. não queria ter de vos ver, tão felizes como são. não queria ter de me fingir de simpática e fingir que não me importo, quando na verdade vou estar ali a morrer por dentro. eu, tu, a tua namorada e as miúdas que me odeiam. nem quero sequer imaginar. perceber finalmente, em carne e osso, que já não sou eu, que passei à história. que ela é a tua história, e que está a ocupar o meu lugar.
hoje uma mulher reconheceu-me. era uma funcionária nos armazéns e eu ia experimentar um vestido. ela perguntou para que tipo de ocasião era, e a minha mãe fez o excelente favor de lhe dizer para o que era. a rapariga, num impulso, disse que me conhecia e ficou histérica a pedir para te mandar beijinhos abraços e o habitual. consegui fugir do assunto e quando experimentei o vestido ela disse "ele vai adorar" e eu ironicamente disse "vai vai" e novamente fugi ao assunto. ela não perdeu tempo ao dizer que eu tinha corado e que ali havia história, quando na realidade, estava apenas calor... idiotices. quando me fui embora, a minha mãe estava cá fora e ela aproveitou e, ao me dar o saco, disse que me estava a reconhecer e perguntou como ia a nossa relação, porque aparentemente, éramos "o casal perfeito". foda-se. não me podia ter dito pior coisa. engoli em seco e disse "já não estamos juntos, ele está com outra pessoa." consegui disfarçar as lágrimas que queriam sair, mas sentia a minha cara e todo o meu corpo em ebulição, prestes a explodir. o que vale é que a miúda me deu mais força que nunca, para além de lhe ter saído logo um "cabrão" pela boca... o que se perdoa, e se ri também. o que vale é que me disse que tinha de ter a maior força possível e colocá-lo para trás das costas, mas que o importante era aparecer lá de cabeça erguida e o mais bonita possível, por dentro e por fora. foi um bom incentivo. esta semana vai custar a passar, tenho medo do que possa vir aí. mas depois desse dia, tenho realmente de me mentalizar que as duas almas supostamente destinadas a estarem juntas, têm de ser separadas de vez. queria que voltasses, nem que fosse por um mísero segundo. queria ter-te apenas por mais um momento, marcar-me de novo em ti. queria que me fizesses sentir protegida e segura de novo. preciso de ti. tenho saudades tuas. de quando paravas o tempo e o espaço em nosso redor ficava vazio. preferia ter-te comigo com todos os teus defeitos e singularidades, do que não te ter aqui. mas sei que nunca vai acontecer, por isso, tenho que me conformar e seguir em frente. sei que nunca te vou esquecer por completo. haverá sempre uma parte de ti em mim. contigo cresci e aprendi muito, independentemente de tudo, foram 2 anos e alguns meses. nunca vou esquecer o que passámos juntos, que para muitos pode ser desde insignificante a possessivo. independentemente disso, foi o que nos suportou. nunca vou esquecer os teus olhos cor de mel cravados em mim. não vou esquecer o primeiro olhar, o primeiro toque, o primeiro beijo. nem os últimos. as primeiras palavras, as primeiras gargalhadas, as primeiras lágrimas e os primeiros sorrisos. não me vou esquecer da forma como a minha cabeça encaixava no teu ombro ou no teu peito na perfeição e do quão segura me sentia quando me abraçavas. de quando me deixavas sem voz ou sem fôlego. de todo o vício que me ligava a ti. de quando me fazias sonhar acordada ou passar as noites em branco. deve ser pecado querer-te nem que seja por apenas mais uma vez. mas quero. e luto constantemente contra essa vontade que se tem revelado tão forte. não se esquece alguém tão importante assim. mas eu já o devia ter feito. e agora, tenho mesmo de o fazer. quer eu queira, quer não, mudámos. eu já não sou a mesma e tu também não. mas há algo que nos distingue. a minha essência é a mesma, apenas abri os olhos, enquanto que tu mudaste radicalmente. ou pelo menos tentas esconder quem és realmente com uma capa que me dá, no mínimo, pena. ambos sabemos que na verdade, estávamos mais felizes juntos, apesar de tudo. mas tal como te disse, continuas a ficar cada vez mais vazio. quando bateres no fundo, quero ver o que vais resolver da tua vida. encontrar-te foi difícil mas esquecer-te releva-se ainda mais. encontrei a minha lua mas vou ter de me separar dela, para o meu próprio bem. tenho de me mentalizar que já não me pertences. tenho de deixar de te pertencer, nem que seja apenas uma mísera parte de mim. sei que haverá sempre algo meu em ti e por certo algo teu em mim. mas ao que parece, isso não basta. de todo. preciso de me sentir inteira e de sentir alguém por inteiro, e não por metade. mais uma vez, mereço mais e melhor. espero eu.
mas o "mais" e "melhor" és tu. eu sei que és e não consigo pensar noutra pessoa qualquer que não tu. o meu corpo, a minha alma, o meu coração. tudo o que me constitui quer ter-te com uma intensidade tal que já nem eu sei controlar. nada mais me resta para além de contrariar esse desejo que me corrompe e isolá-lo bem longe das minhas emoções. não posso.não quero. só espero que nunca mais tenha de te olhar nos olhos, porque aí sei que me vou apaixonar outra vez, como se fosse o primeiro dia. e também sei que o meu olhar não te será de todo indiferente. no entanto, o teu coração já pertence a outra, mas o meu continua preso a ti.tenho de me separar de ti. até sempre, meu amor,
mas o "mais" e "melhor" és tu. eu sei que és e não consigo pensar noutra pessoa qualquer que não tu. o meu corpo, a minha alma, o meu coração. tudo o que me constitui quer ter-te com uma intensidade tal que já nem eu sei controlar. nada mais me resta para além de contrariar esse desejo que me corrompe e isolá-lo bem longe das minhas emoções. não posso.
Perfeito. Absolutamente perfeito.
ResponderEliminarP.S. Força, vais ver que as coisas vão mudar