segunda-feira, 24 de novembro de 2014
e de repente, lembro-me de ti. como se só me lembrasse uma vez a cada mês. não. embora consiga manter-te o mais afastado da minha mente possível, há sempre algo que me relembra que existes e as repercussões que a tua existência tem em mim. parte de mim foi contigo. não me consigo recompor. não me consigo conformar, aceitar, lidar com tudo isto. sinto algo que nunca pensei sentir e não sei o que hei-de fazer. sempre prometi a mim mesma que nunca deixaria que um rapaz me magoasse, e que, se acontecesse, que me iria passar rapidamente, porque eu não era nem nunca seria a segunda opção de ninguém. mas fui. mas sou. porque não passo disso mesmo, uma segunda opção. compreendo perfeitamente o porquê de a teres preferido a ela. sejamos sinceros, quem não preferiria? compreendo o porquê de preferirem sempre as outras ao invés de mim. sei que não sou a rapariga de sonho de ninguém e que nunca o serei. a realidade é dura mas há-que a encarar. sou um poço de defeitos e imperfeições. o que é que eu tenho a menos que elas? apaguei da minha mente aquele tempo póstumo tão obscuro da minha vida, em que me considerava uma nulidade, a rapariga mais horrível e indesejada do mundo. apaguei-o, porque consegui dar valor a quem sou, entender que tenho qualidades e que embora não seja nenhuma angelina jolie, tenho o meu quê de beleza e de interesse. tornei-me mais confiante de mim mesma, algo que achava ser impossível, mesmo mantendo uma certa insegurança que há-de me acompanhar sempre. mas neste momento, só quero que a minha auto-estima não caia de novo. não como antes, só peço isso. peço, imploro. não quero saber de rapazes, de namoros, curtes, casamentos, "viver juntos" ou filhos. não quero saber de nada disso, quanto mais afastada estiver disso, melhor para mim. a minha barreira quer-se quebrar mas eu não lhe vou satisfazer esse desejo. e não vou deixar que sejas tu a arruinar a pessoa em que me tornei. as esperanças de uma possível reconciliação já foram com o vento, tal como tu. não me esqueço de ti, aliás, enraivece-me não o conseguir fazer. estás tão presente como se ainda estivesses comigo. nunca foste a pessoa que eu queria para mim, nunca. sempre achei que pessoas minimamente conhecidas eram um erro, um poço sem fundo, uma ilusão. coitadinha de mim que gozava com as pobres raparigas que se iludiam com pseudo figuras públicas que só temiam perder fãs. para além disso, sempre achei que algo sem toque e olhos nos olhos não era nada para além de uma ilusão. e se calhar tinha razão em tudo isto, mas fui (sou) tão parva, que acreditei em ti como uma criança indefesa. sempre fui uma romântica incurável, mas nunca fui de demonstrações de afeto. sempre escrevi sobre amor, mas quem me conhece sabe que quando digo ou faço, é porque tem de ser feito, e não só porque sim. sempre respirei amor sem nunca precisar dele. ainda hoje, não preciso de amor para nada. mas preciso de ti. arrebataste-me e quebraste a minha barreira com uma facilidade estonteante. não eras a pessoa certa, de todo. aliás, se me dissessem que tudo isto ia acontecer, o mais provável era ser chamado de louco, porque sempre pus de lado tais hipóteses para a minha vida. não era suposto teres sido tu, até ao momento em que foste. foste e és. sempre fui uma pessoa tão controlada, tão assertiva, tão dona das minhas ações. porquê? porque é que tinhas de me fazer fraquejar? porque é que me fazes ter saudades tuas? porque é que foste embora? e se te foste embora, porque é que insistes em voltar sem ficar? porque é que já não estás comigo? quando fecho os olhos, quase que juro que oiço a tua voz. quase que juro que vejo todos os teus contornos mesmo à minha frente. quase que juro que estás ali comigo. quase que sinto o teu toque e a tua respiração. até o teu batimento cardíaco. mas não. podias ter sido um daqueles sorrisos que vemos na rua e nos dá a volta à cabeça durante uns segundos ou no máximo um dia. mas não, tinhas de ser um daqueles sorrisos que nos dá a volta à cabeça uma vida inteira. tenho de te afastar para me voltar a encontrar.
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)

Sem comentários:
Enviar um comentário